quarta-feira, 11 de junho de 2014

'Caminhãozinho' vira opção de 2º carro da família

Daihatsu tantoA popularidade dos keis tam­bém aumenta entre os cidadãos mais jovens, o público mais dura­mente atingido pelas décadas de lento crescimento da renda no Japão. Cerca de 26% dos moto­ristas de keis disseram, no ano passado, que haviam desistido de um carro normal, segundo uma pesquisa publicada em abril pela Associação de Fabricantes Automotivos do Japão.

Mulheres em Shinchiro disseram que seus maridos guiam carros de tamanho normal, mas que a família teria dificuldade em comprar e manter um segundo carro normal. "Não sei o que faria sem o meu kei", disse Yui Shirai, que depende do seu Tanto fabricado pela Daihatsu para ir ao emprego na fazenda de chá de seus pais. Seu marido, Takuya, dirige um Suzuki normal. Shirai disse que eles não conseguiriam ter um segundo carro - e ela talvez não pudesse trabalhar - não fosse o baixo custo, os baixos impostos e a baixa necessidade de combustível.

Os novos impostos para keis estão provocando um debate sobre o fato de as reformas econômicas do premiê Shinzo Abe elevarem as diferenças entre os mais ricos e os mais pobres. Os críticos dizem que as medidas de Abe - elevar impostos, instigar aumentos nos preços do petróleo e estimular a inflação - prejudicaram principalmente os mais pobres. Quase 20% dos donos de kei ouvidos pela associação dos fabricantes disseram que estudariam desistir por completo de seus carros por causa dos impostos mais altos, enquanto 10% mudariam para carros normais.

O 'pequeno canibal' das montadoras japonesas

A mudança na política dos 'kei'
Resgate econômico. O incentivo aos pequenos
• caminhões e furgões conhecidos como "kei" foi uma forma de garantir o acesso da população de baixa renda e do interior do Japão ao automóvel, especialmente nos anos de economia de ''vacas magras" do pós-guerra.

'Epidemia'. O que era para ser um "remédio",
• no entanto, acabou virando problema. O fenômeno dos pequenos veículos - que têm motor semelhante aos de motocicletas - se espalhou para boa parte da população e hoje domina 40% das vendas de automóveis no país.

Abandono. Para estimular a venda de produtos
• de maior valor agregado internamente e também incentivar o desenvolvimento de veículos mais caros para exportação, o governo japonês decidiu cortar incentivos tributários aos "kei" - o que ameaça o domínio desse produto no Japão.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Hiroko Tabuchi - The New York Times | Tradução de Celso Paciornik

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