Com falta de mão de obra, Japão amplia presença de trabalhadores estrangeiros, mas enfrenta concorrência de países asiáticos que oferecem melhores condições
O número de trabalhadores estrangeiros no Japão chegou ao recorde de aproximadamente 2,57 milhões, em um momento em que o país enfrenta uma escassez cada vez maior de mão de obra e precisa competir com outros países asiáticos para atrair trabalhadores.Entre os estrangeiros que trabalham no país, cerca de 420 mil possuem o status de residência de Habilidades Específicas (Tokutei Ginou), criado para setores que enfrentam grave falta de trabalhadores, como construção civil e alimentação. Esse grupo corresponde a aproximadamente 16% do total.
O sistema possui duas categorias. No Habilidades Específicas 1, o período total de permanência é limitado a cinco anos e, em princípio, não é permitido trazer familiares.
Já o Habilidades Específicas 2 não possui limite para renovações e permite a vinda de cônjuge e filhos, desde que sejam cumpridos os requisitos.
Maioria está no Habilidades Específicas 1
Segundo a TBS, cerca de 97% dos trabalhadores com Habilidades Específicas estão atualmente na categoria 1. Para avançar ao nível 2, é necessário passar por exames de qualificação e, dependendo da profissão, comprovar experiência em funções de supervisão.
O sistema de Habilidades Específicas surgiu em meio às críticas ao antigo programa de Estágio Técnico, criado em 1993 oficialmente com o objetivo de transferir conhecimentos e tecnologias aos países em desenvolvimento.
Com o envelhecimento da população e o agravamento da falta de trabalhadores, o Japão criou posteriormente o Habilidades Específicas para reconhecer de forma mais direta a entrada de mão de obra estrangeira.
Entre as regras está a exigência de que os estrangeiros recebam remuneração igual ou superior à de japoneses que executem trabalhos equivalentes.
O programa de Estágio Técnico será substituído em 2027 pelo novo sistema de Formação e Emprego (Ikusei Shuro). A proposta é desenvolver trabalhadores durante aproximadamente três anos para que possam avançar posteriormente ao Habilidades Específicas.
Empresas precisam de estrangeiros, mas governo estabelece limites
Apesar da necessidade de mão de obra, o governo japonês estabelece limites de entrada para determinados setores, sob o princípio de que empresas devem primeiro buscar aumento da produtividade e contratação de trabalhadores dentro do país.
Em abril, por exemplo, novas admissões no setor de alimentação foram interrompidas depois que o número de trabalhadores se aproximou do limite de 50 mil estabelecido para a área.
Uma pesquisa da Japan Foodservice Association citada pela TBS mostrou que 45% das empresas disseram que a situação afetaria seus planos de negócios, incluindo mudanças nos horários de funcionamento. Além disso, 64% consideraram os funcionários estrangeiros necessários, em diferentes graus.
Outro fator que pode aumentar os custos para estrangeiros é a revisão das taxas relacionadas aos procedimentos de imigração.
Para pedidos apresentados a partir de 1.º de outubro, o governo anunciou aumentos que podem levar determinadas taxas de renovação ou mudança de status a até 75 mil ienes, enquanto o pedido de residência permanente poderá chegar a 200 mil ienes, dependendo do procedimento.
Japão disputa trabalhadores com a Coreia
Enquanto o Japão tenta equilibrar a necessidade de trabalhadores com controles sobre a entrada de estrangeiros, a competição internacional por mão de obra está aumentando. A TBS destacou a Coreia do Sul como um dos principais concorrentes do Japão.
Uma das diferenças apontadas está no processo de recrutamento. No Japão, a participação de empresas e intermediários privados pode abrir espaço para problemas envolvendo agentes irregulares e trabalhadores que chegam ao país carregando grandes dívidas.
Na Coreia do Sul, o sistema citado pela reportagem possui maior participação direta do governo e busca eliminar intermediários.
A segunda diferença está nos salários
Dados de 2025 da Mitsubishi UFJ Research & Consulting, usados pela reportagem, indicam que, comparando trabalhadores em condições semelhantes, a remuneração média mensal era de cerca de 248 mil ienes no Japão, contra aproximadamente 293 mil ienes na Coreia do Sul.
Salário e desvalorização do iene pesam na escolha
O professor Masao Makime, da Universidade Tokai, afirmou à TBS que, além das diferenças de tratamento, a desvalorização histórica do iene também influencia a capacidade do Japão de atrair trabalhadores estrangeiros.
Segundo o especialista, salário não é o único fator considerado por quem decide em qual país trabalhar. Um ambiente seguro para viver e trabalhar e as possibilidades de desenvolvimento profissional no futuro também são importantes.
Diante da redução da população em idade ativa, o desafio para o Japão passa a ser não apenas aumentar o número de estrangeiros, mas criar condições para que o país seja escolhido por trabalhadores qualificados em meio à crescente competição internacional.
Fonte: Portal Mie com TBS NEWS DIG
